Uma das principais intervenções será a construção de plataformas logísticas no litoral do Paraná. Até agora, pelo menos duas plataformas estão programadas para a região metropolitana de Curitiba, além das regiões norte, central e oeste do estado.
Entretanto, os primeiros trechos que receberão investimentos estão nos eixos que interligam duas plataformas, saindo do Município de Guaíra, no noroeste do estado, em direção a Londrina, no norte, e a Cascavel, no oeste.
O governador Roberto Requião ressalta que o projeto de planejamento da infra-estrutura irá inserir o estado na rede logística nacional e intercontinental. “Todos os recursos são investidos num projeto integrado que garante o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e a preservação da natureza nas nossas regiões”, comentou Requião.
Segundo o secretário de estado do Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Netto, Guaíra receberá os investimentos iniciais do projeto porque já possui os cinco modais, e é considerada uma região importante de trânsito hidroviário para os países atingidos pela Bacia do Rio da Prata – Brasil, Paraguai e Argentina -, com 7 mil quilômetros de extensão e capacidade para grandes embarcações de carga.
“O município está em uma posição que tem no seu entorno as maiores produções do estado, e a possibilidade de receber a produção do Mato Grosso do Sul, dos outros estados do Centro-Oeste e do Sudeste, e também de países vizinhos”, comenta o secretário.
O primeiro sistema a receber investimentos de R$ 45 milhões da iniciativa privada é o Porto Fluvial de Guaíra, que está em fase de ampliação. A Petrobras também confirmou investimentos para a implantação de equipamentos de grande porte no sistema de transportes da região, o que motivou a prefeitura a readequar a área intermodal para receber uma nova plataforma de logística e acessibilidade. Além disso, a pista do aeroporto da cidade será ampliada, também com investimentos feitos por empresas.
Projeto
O secretário Forte Netto conta que os investimentos em todo o estado serão feitos a partir de um plano de desenvolvimento que começou a ser realizado pelo grupo de trabalho dirigido pelo governo estadual. Esse projeto tem o objetivo de tornar o trânsito de cargas e mercadorias mais ágil em direção aos portos do sul e também integrar o sistema de transporte de outros estados e países vizinhos.
O grupo responsável pela elaboração do plano inclui representantes das diversas áreas, como transporte, meio ambiente, agropecuária, indústria e comércio e desenvolvimento urbano. “Este grupo estuda programas que já começaram a ser desenvolvidos em outros estados, como São Paulo e Bahia, para obter um modelo adequado às condições do Paraná”, comenta.
O governo federal também terá participação no desenvolvimento do novo sistema. O trecho de malha ferroviária de Cascavel a Guaíra prevê recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A ampliação da mesma malha até o Estado do Mato Grosso irá permitir ao sistema atingir um dos corredores bi-oceânicos, abrindo possibilidade de exportação de produtos à Ásia pelo Oceano Pacífico, através dos portos do Chile e do Peru, o que reduz o percurso dos navios em cerca de 7 mil quilômetros.
O projeto do Sistema Estadual de Acessibilidade e Logística foi lançado em Guaíra, onde o governador Roberto Requião e o prefeito Fabian Vendruscolo assinaram um termo de cooperação. “O sistema vai contribuir para melhorar o desempenho do transporte e para a redução de custos, através de uma gestão ágil e eficiente, que esteja integrada e seja funcional”, avaliou o prefeito.
Problema
Todo esse esforço tem como objetivo acabar com problemas como a greve dos auditores da Receita Federal, que completou ontem 50 dias e afetou seriamente o sistema de cargas no estado paranaense. O terminal de contêineres no Porto de Paranaguá é um exemplo do que a paralisação produziu: armazéns e pátios tomados de mercadorias à espera de fiscalização.
A área mais nova do pátio, um aterro com o tamanho de cinco campos de futebol concluído há três meses, está ocupado por pilhas de contêineres que chegam a 12 metros de altura. A situação poderia estar ainda pior, avaliam os próprios auditores da Receita.
Há uma semana, em reunião interna, os 40 fiscais na alfândega do porto concluíram que, se o movimento continuasse rigoroso, o porto entraria em colapso. Embora ainda em greve, quase 90% dos auditores retornaram ontem ao trabalho, diante do acúmulo de serviço.
Custos
A estimativa dos auditores é que a greve tenha retido pelo menos 10% de todo o volume de cargas movimentado em Paranaguá. Como a previsão de receita cambial para o porto em 2008 é de US$ 14 bilhões, o prejuízo pode chegar a US$ 1,4 bilhão. Outro exemplo de prejuízo é o que a despachante aduaneira Dulcicléia Eccel já sabe que terá. Pelos 45 dias em que 41 contêineres com bobinas de aço que chegaram da Coréia do Sul ficaram parados no porto, serão pagos R$ 57 mil de custos com armazenagem no terminal e mais US$ 30 mil pelo aluguel dos contêineres.
Para resolver o problema, cerca de 480 declarações de importação estão à espera de liberação do auditor Ernando Miranda. Em dias normais, são analisados até 20 documentos. Por isso, Miranda disse que terá de dobrar as análises para pôr tudo em dia. “Nosso movimento de greve é legítimo, mas ele não foi desencadeado para prejudicar a sociedade. Por isso já votamos um indicativo de suspensão da greve e esperamos que ela termine.”
Gabriela Mainardes – jornal DCI – Diário Comércio, Indústria e Serviços. (dia 09/05/2008)