A 3a. pesquisa “Panorama do Supply Chain no Brasil – Cenário 2007″, desenvolvida pelo Inbrasc (Instituto Brasileiro de Supply Chain) – entidade pertencente à Federação Brasileira de Desenvolvimento Corporativo (Febracorp) – delineou o cenário brasileiro referente ao supply chain nas empresas. A análise englobou 96 organizações, sendo 44% de origem nacional, 42% de origem internacional e 13% consideradas mistas.
Um dos principais resultados observados foi o atraso das companhias de capital nacional em relação às de capital internacional sobre as práticas e recursos aplicados ao supply chain. Segundo a análise, tanto o CPFR (Planejamento, Previsão e Reabastecimento Colaborativo) quanto o S&OP (Planejamento de Vendas e Operações) são utilizados por 64% das multinacionais. Isso representa quase o dobro do que ocorre nas de capital local, que totalizaram apenas 35% das organizações que usam estes recursos.
Além disso, 80% das de origem internacional repõem automaticamente os estoques tanto dos clientes quanto dos fornecedores, enquanto somente 20% das nacionais modernizam este tipo de atividade. A troca de previsão de vendas também demonstrou esta grande disparidade. De acordo com a pesquisa, quando a troca de previsão ocorre com os clientes, mais de 67% das organizações de capital internacional disseram aplicar, enquanto apenas 32% das de capital nacional desenvolvem esta prática.
“Isso se deve em parte pelo maior recurso disponível pelas multinacionais e, também, pela maior pressão sofrida por parte delas com relação às práticas que aumentem a competitividade”, explica o presidente do Inbrasc, Carlos Panitz.
Baseado nestas informações, a pesquisa desenvolveu um índice de modernização, ou seja, os segmentos industriais que mais têm investido nas práticas e recursos citados. Dentre eles, o que obteve maior grau de modernização foi o de Veículos e Peças. “Este é um setor que sempre foi de ponta nas práticas ligadas à cadeia de abastecimento, tendo inclusive representantes, como a Toyota, que revolucionaram conceitos de supply chain que outras tiveram que seguir. A competição neste setor é acirrada”, afirma o presidente da Febracorp, Richard Lowenthal.
Outro ponto que mereceu atenção, foram as tecnologias utilizadas para a captura de dados. A análise demonstrou que o RFID – método de identificação automática através de sinais de rádio, que recuperam e armazenam dados remotamente por códigos de barra – ainda não é prioridade para a maioria das empresas.
Quando questionadas sobre a identificação do recebimento e expedição de mercadorias, 64% responderam que realizam por digitação no sistema, 43% por leitura por código de barras, enquanto apenas 7% utilizam RFID e 2% por telemetria. Já sobre a localização dos produtos no estoque, o RFID foi ainda menos expressivo, obtendo apenas 4% das indicações. A leitura por código de barras foi mencionada por 48% dos entrevistas, a digitação no sistema por 43% e a telemetria por apenas 1%.
Fonte: www.administradores.com.br – 02/05/2008.