O aumento do preço do óleo diesel anunciado pelo Governo vai pressionar a inflação por causa do encarecimento do frete, avalia o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires. De acordo com ele, no entanto, essa pressão não deverá ser sentida de imediato, mas ao longo dos próximos quatro ou cinco meses em produtos como alimentos, já que as transportadoras deverão repassar aos poucos a alta nos seus custos.
“O diesel tem muito impacto indireto, já que 90% do transporte feio no país é rodoviário e a diesel. As empresas de transporte vão aumentar o frete. Portanto, vai haver pressão inflacionária sim, mas vai demorar mais”, afirma Pires, lembrando que o impacto do diesel no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 1%, enquanto que o da gasolina é de 5%.
Para Pires, a intenção do Governo ao anunciar a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para amortecer o reajuste de 10% na gasolina e de 15% no diesel foi justamente controlar a inflação. Pelas contas do Governo, a gasolina não deverá sofrer reajuste nas bombas, pois a redução da Cide sobre o preço do litro da gasolina recuou de R$ 0,28 para R$ 0,18. No diesel, a diminuição da Cide foi de R$ 0,07 para R$ 0,03, o que deverá representar um aumento de 8,8% do preço desse combustível nas bombas, conforme estimou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
No Rio, o aumento do óleo diesel nas vendas das refinarias não deverá significar um reajuste nas tarifas de ônibus municipais. Pelo menos por enquanto, estima o prefeito César Maia. Isso por causa do recente aumento de 4,5% da passagem anunciada em dezembro do ano passado.
Fonte: Web Transpo – Logística – 02/05/2008